terça-feira, dezembro 30

Coisa de cidade grande

Sob a serra há um túnel. Nele, milhares de carros sobem em direção à cidade. Para trás todos deixam as grandes praias. Percebo que esta pode ser uma oportunidade única, então aguço todos os meus sentidos para memorizar o momento. Eis o que vivenciei:

Uma luz amarela tinge tudo de um tom dourado. Como um único rojão, ela corta o alto de ambas as paredes do túnel e se exibe como um convite à velocidade. O som que ali se escuta chega a ser desconcertante. Amplificado pelo eco da própria construção, o motor de carros, motos e caminhões tornam-se como rugidos de feras em debandada. Escuto um tiro e me assusto. Mas foi este realmente disparado por uma arma? Não, o barulho veio do cano de descarga de uma motocicleta. Vejo uma luz branca ao longe e me despeço do claustrofóbico tubo serpeante. Lá fora, sobre a serra, uma cinza e espessa camada de nuvens encobre o céu.

Termina o túnel, continua a viagem.

domingo, dezembro 28

Do que são feitas as nuvens?

Lá fora, um tapete de nuvens se estende a perder de vista. Como um branco mar de algodão, ele alcança o horizonte facilmente. É impossível não sorrir ao contemplar tal cena, assim como também é inevitável agradecer a Deus por esta beleza da criação.


Subindo, subindo, subindo. Assim faz o avião, que mesmo não sendo rosa e grená, carrega dentro dele um jovem sonhador. Este, intimamente, o vê colorindo tudo em volta, com suas luzes a piscar.

quinta-feira, dezembro 18

Reminiscências

Voltando de viagem, olho pela janela do carro e avisto verdes plantações que passam rapidamente. Ainda temos muitas horas de estrada até chegar em casa. Sabendo disso, liberto meus pensamentos e deixo-os vagar livres pelo mundo.

Pouco a pouco, versos de uma música vão surgindo. A eles, junta-se não minha voz, mas sim a do cantor que os interpreta. As partes mais conhecidas são repetidas durante algum tempo, mas depois, a melodia decide que quer ir embora; e vai.

Velhas lembranças começam a preencher o vazio deixado pela música, deixo-me ser levado por elas... As cenas que se desenrolam são várias e retratam o ano de 2002. Vejo-me com meu corpo de 12 anos. Magrinho, alto, usando uniforme; comum. Estou na sala de aula da 7ª A no CEF 08, no meio de uma aula de matemática. Acabei de ganhar uma grande maçã vermelha de uma garota que eu conhecia somente há alguns dias. A princípio eu penso “Aí tem coisa! Por que ela me deu isso? Será que ela acha que eu passo fome? Ou essa maçã caiu no chão e ela não quis mais comer?” Decido arriscar e como a fruta. Estava normal... nem doce nem azeda, nem dura nem mole demais. Alheio á aula e ao que se passava na sala, não percebo o sinal anunciando o intervalo. Sou arrancado dos meus devaneios por uma explosão de risadas. Quando percebo, meus outros colegas de classe estavam às gargalhadas por eu ter ganhado uma maçã de presente. Não me lembro bem o que eles falavam, mas tive a absoluta certeza de que havia o dedo daquela menina Nathália nisso tudo. Era essa afinal sua intenção ao dar-me aquilo? Não perguntei, naquele momento eu não queria saber. Só o que me vinha a mente era sair dali. Eis o que fiz: fechei a cara e fui para o intervalo.

A lembrança se desvanece e outra assume seu lugar. Estou na mesma sala, porém o clima é bem diferente. Agora mantenho uma acalorada conversa com Nathália. O incidente da maçã parece superado. Falamos sobre alguns livros do Pedro Bandeira, e eu me espanto ao perceber que ela também conhece os karas. Ao que parece, ela é tão fã deles quanto eu, se não mais. À medida que conversamos descubro que ela também gosta de Harry Potter e que já havia lido dois livros dele. É tão fácil conversar com ela sobre qualquer assunto que isso chega a me espantar. De repente, a compreensão me atinge e percebo que estamos nos tornando amigos. Conosco, está também uma outra menina chamada Drielle. O mundo inteiro vê em seu rosto que ela não gosta de mim. Drielle se tornou amiga de Nathália muito mais rápido do que eu e a empatia entre elas era clara.

Acontece novamente uma mudança de cenário. Estamos na aula de Educação Física, e por alguma razão fazemos uma competição de pulo com cordas individuais. Nós três nos alternamos em uma única corda. Tento conter minha irritação, mas não consigo. A cada erro meu Drielle parece receber a notícia de que o natal estava chegando mais cedo e não se preocupa em esconder um sorriso. Nathália está tranqüila e tenta apaziguar os ânimos. Ela usa um tênis rosa muito singular por assim dizer. Um outro menino chamado Vítor também brinca com a gente. Eu não gostava dele de forma alguma, e ao menos nisso Drielle parece concordar comigo. Ela também o detesta. Acaba a aula e nos encaminhamos para os bebedouros. As duas garotas caminham a minha frente falando baixo. Ultimamente elas vivem cochichando ou passando bilhetinhos uma para a outra. Eu me sinto claramente excluído, mas elas não parecem se importar muito. Escuto por alto que Drielle irá à casa de Nathália depois da escola. Hoje eu as seguiria, mas para não gerar acusações preferi dizer que as faria companhia.

Muitas e muitas lembranças se seguem a estas pois ao longo de 7 anos nos tornamos inseparáveis. Drielle finalmente conseguiu me aceitar como amigo e em 2004 descobrimos que nossas gritantes diferenças são ideais para a amizade única que conseguimos desenvolver. Hoje em dia nos tratamos como irmãos. Eu e Nathália passamos por tantos altos e baixos que chega a ser difícil de listar. Mas como eu bem gosto de dizer a ela, isso só prova que nossa amizade é forte e consegue superar tudo. Elas duas nunca tiveram grandes desentendimentos, e fortaleceram seus laços fraternais com o passar do tempo...

Lentamente, volto a mim e percebo que o carro está desacelerando. Com uma pergunta, descubro que vamos parar em algum lugar para lanchar. Começo a recolher meus pensamentos para não esquecer nenhum. Centenas de quilômetros ainda nos separam de nosso destino final, mas mesmo assim dou um leve sorriso. Os outros passageiros, todos da minha família, não entendem minha satisfação. Eu poderia explicar a eles, porém deixo para outra ocasião. Naquele momento eles não sabem, mas meu sorriso era apenas uma faísca do sol de alegria que brilhava em meu coração. Ele é continuamente alimentado pela amizade e pela compreensão de que verdadeiros amigos estão sempre juntos, não importa onde estejam.

quarta-feira, dezembro 17

Considerando...

As vezes tenho um bloqueio que me impede de escrever sobre qualquer coisa. Eu até já falei sobre isso aqui lembram? Então... estou em uma época como essa novamente. Vejo ótimos filmes antigos, leio como se disso dependesse minha vida, assisto a séries que me divertem, me informo de maneira regular e ultimamente me reapaixonei por desenhos animados. Qualquer um desses temas seria um ótimo assunto para discursar, mas existe um véu difuso que turva meus pensamentos.

Poderia falar sobre as várias novidades ás quais tive acesso. Mas lá no fundo, eu imagino que isso seria simplesmente uma transcrição de outros blogs e sites. E eu não criei o Cordel para isso...

Façamos o seguinte acordo. Prometo que até o fim da semana escreverei sobre 3 assuntos diferentes! Não garanto uma harmonia melodiosa em todos os textos... Mas talvez isso ajude a dar outra direção para o bendito véu.

Até breve !


domingo, dezembro 7

Livro bolo-de-festa

Eu possuo uma maneira muito única, assim acho eu, para caracterizar certas obras literárias. Quando um livro me prende à história e me faz querer lê-lo desesperadamente, costumo chamá-lo de livro bolo-de-festa. Chamo-o assim, pois preciso me controlar para não devorá-lo de uma só vez. Devo saber apreciá-lo com calma e cadência para que tenha o sabor adequado. Recentemente me vi em situação como essa ao ler Crepúsculo. Escrito por Stephenie Meyer, ele narra a história de Bella Swan, uma jovem de 17 anos que decide ir morar com o pai na pequena e chuvosa cidade de Forks, Washington. Acostumada com o calor de Phoenix, Bella passa por maus momentos até se acostumar com o clima do local. Ela realmente tenta se integrar e fazer novos amigos, mas seus planos de normalidade fracassam de maneira teatral quando ela toma conhecimento da família Cullen. Alice, Rosalie, Emmet, Jasper e Edward, são as pessoas mais estonteantemente lindas que Bella já viu na vida. A jovem se sente atraída por Edward Cullen de imediato. A princípio, ele a evita, mas com o tempo, e graças a acontecimentos muito estranhos, ele também começa a se aproximar de Bella. O problema é que Edward não é um garoto comum. Para ser mais específico, além do prazer pela velocidade, ele possui uma palidez desconcertante, uma força descomunal e uma sede que incita seus extintos mais animais. Sim, Edward Cullen é um vampiro!

A partir daí o livro é só emoção. As descrições das belezas do jovem vampiro e o amor que Bella cativa por ele são inspiradores. Em alguns momentos é um pouco romântico demais, porém não se enquadra no estilo água-com-açúcar. Além disso, à medida que Bella vai contando a história (o livro é narrado em 1º pessoa), seus pensamentos vão se tornando cada vez mais interessantes, diria mesmo irresistíveis. Sua forma de pensar é um misto de sarcasmo, amor incondicional, paixão avassaladora e comédia pungente. Para completar, existe ainda um suspense angustiante. O tempo todo se espera por um beijo, e nos capítulos finais as reviravoltas ocorrem de forma tão consecutiva, que as páginas praticamente passavam voando diante de meus olhos. Como Bella mesmo repete tantas vezes, eu tinha que me lembrar de como era respirar.

Ao terminar a leitura, com uma certa tristeza por ter acabado, descobri que o filme homônimo à obra será lançado aqui no Brasil dia 18 de dezembro. Tive que conter a empolgação crescente que me assolou no momento. Entretanto, alguns amigos foram vítimas de scraps desesperados, onde profetizei meu infarto iminente se eu não fosse ver a película na estréia. Provavelmente existe uma tsunami de pessoas esperando pelo filme, assim como eu. A série de livros cujo primeiro título é Crepúsculo, tornou-se besteller mundial; mas posso balançar a bandeira da inocência e afirmar que comprei o livro por pequenas indicações e também por curiosidade, e não para seguir uma nova tendência. Como eu já disse antes, tenho uma habilidade incomum de descobri-las antes que elas estourem na mídia.

O importante é dizer que elegi Crepúsculo como meu livro do ano, e que em breve lerei Lua Nova. Haverá uma crítica ao filme também, já que não poderei deixar de assistir. Mas peço encarecidamente que não deixem de conhecer o livro. Garanto ótimos momentos de alegria. Porém é melhor aceitar que estes passarão rápido, pois é quase impossível parar de ler!

domingo, novembro 30

Dicotomias, gumes e visões.

Um risco, dois riscos; um avião.
Voando no céu do planalto,
A capital de uma nação.

Dois eixos, quatro eixinhos; um avião
Monumentos, vias e quadras,
Ambigüidades de formação.

Asa sul, asa norte; um avião.
W3, L2, de 900 a 100;
Números em ascensão.

Uma praça, três poderes; um avião
Ali, num palácio de mármore,
Se encontra o capitão.

Modernidade, conhecimento; informação.
A planar pelo mais belo céu
De uma cidade, seu coração.


...ufa, finalmente a semana de provas acabou. Voltei à vida de cordelista. ^^

quarta-feira, novembro 19

Aniversário !?

A arte de cordel permanece viva graças à imaginação do autor e a sua maneira simples de ver o mundo.

19 de novembro, dia do Cordelista.

Parabéns para nós !

segunda-feira, novembro 17

2012 – o ano em que a Terra vai parar

2012 é o mais novo filme catástrofe do Roland Emmerich. O mesmo que criou “ O dia depois de Amanha”, “Godzilla” e “Independence Day”, ou seja tem tudo para virar um sucesso. Não sei se é porque eu amo filmes no estilo catástrofe-climática-mundial-devasta-meio-mundo, mas quando eu vi o teaser trailer quase enlouqueci.


A película fala sobre uma profecia maia, segundo a qual, Dezembro de 2012 marca o fim de um ciclo definido no calendário desse povo. Muitos acreditam que isso se traduzirá em desastres e cataclismas naturais, o que algumas pessoas consideram como sendo o fim do mundo. Outros acreditam que essa data marcará o fim do materialismo e um novo despertar para a consciência humana. (isso é a teoria resumida heim !)


O bom é que mesmo com todo esse papo de fim de mundo, não deixou de aparecer um marketing viral. No finalzinho do trailer, praticamente recebemos a mensagem : “quer saber mais?? Joga no Google!” ... Apesar de eu já ter dito essa expressão por aqui umas mil vezes, a historia agora é diferente. Nos resultados da pesquisa, além de milhares de sites falando sobre o fim do mundo e alguns sobre as olimpíadas de Londres, dá pra encontrar um chamado “Institute for Human Continuity”. Seria algo como “Instituto para Continuidade Humana”. Lá é relatado que tanto cientistas como sociedades antigas já sabem e já sabiam que 2012 será o fim de uma era. Mas como o governo aparentemente não está a fim de fazer nada, eles resolveram fazer uma promoção onde dá pra concorrer a uma vaga no único abrigo construído para suportar o que vem por aí. Por via das dúvidas eu fiz minha inscrição e peguei meu número de registro.

O filme estréia dia 10 de julho do ano que vem.

ComU do orkut sobre a profecia apocalíptica aqui
Dica do brain9 e omelete.

Mistério na Sereníssima República

Em Veneza, nada é o que parece. Essa foi a maior lição que aprendi ao ler “O enigma Vivaldi”. Escrito por Peter Harris, o livro conta a história de Lucio, um jovem violinista espanhol e apaixonado pela obra de Vivaldi, que vai a Veneza para participar das Jornadas Musicais. Estarrecido com a falta de organização que predomina no evento que deveria prestigiar seu ídolo, ele decide pesquisar sozinho a vida do prete rosso – padre vermelho, nome pelo qual Vivaldi era conhecido por causa de seus cabelos e barba ruivos – e conhecer Veneza por sua conta. Ele acaba por fazer tudo isso junto com Maria Del Sarto, a filha da dona da hospedaria onde Lucio estava hospedado. Juntos eles vivem uma paixão belíssima, tendo como plano de fundo, os canais venezianos.

Tudo ia muito bem, até que, durante sua pesquisa, Lucio encontra uma partitura para violino sem nome, que datava do sec. XVIII. Ela estava em um livro de contas de 1.741 do Ospedalle dela Pietá, onde sabidamente Vivaldi havia lecionado. Duas coisas chamam a atenção do espanhol: 1.741 foi o ano da morte de Vivaldi, além disso, a partitura havia sido escrita com a quarta trítono. Quem tivesse escrito aquilo decididamente não sabia ou ignorava algumas regras musicais, pois aqueles acordes eram conhecidos como a música do diabo e tinham inclusive sidos proibidos pela Igreja, pois o som que produziam quando tocados era horrível.

A partir desse momento, o jovem casal se vê em meio a uma rede de intrigas e mistério, pois ambos estão certos de que aquela partitura contem o segredo que Vivaldi descobriu em Viena, pouco tempo antes de morrer. Eles são perseguidos por dois ramos da Fraternitas Charitatis - sociedade secreta que busca guardar determinados saberes a fim de evitar sua divulgação – e entre segredos e vaporettos, vivem a aventura de suas vidas.

O livro possui alguns clichês como as frases apaixonadas dos jovens, a perseguição em uma cidade história e até o segredo em si. Porém, vale ressaltar que a obra foi escrita em 2003, ano em que esse tipo de narrativa estava na moda, portanto dá pra deixar passar.

Bom mesmo é o cenário onde tudo isso se passa. Peter Harris consegue fazer Veneza brilhar como a mais bela jóia do Adriático (o que é uma verdade irrefutável). A descrição das praças, dos monumentos e palácios, das igrejas e da Ilha de Torcello faz com que praticamente vejamos a cidade a cada página do livro. Ele faz uma divisão que talvez tenha passado despercebida para alguns. Quando quer mostrar do que os doges – governantes venezianos da idade média – e a alta cúpula do poder eram capazes de fazer para conseguir uma informação, trata a cidade como Sereníssima República. Quando quer mostrar toda as suas qualidades como centro artístico e cultural, chama-a apenas de Veneza.

A leitura é agradável e ideal para os amenos momentos de lazer.


quarta-feira, novembro 5

Angels & Demons

Semana passada foi divulgado o teaser trailer de Anjos e Demônios. Baseado no livro homônimo de Dan Brown (exatamente, o mesmo que escreveu o Código da Vinci), o filme conta outra aventura de Robert Langdon, vivida em Roma e na Cidade do Vaticano. Na verdade essa é a primeira ação do professor de simbologia, mas na adaptação para o cinema, os produtores preferiram construir a trama como se ela fosse posterior ao Código.

Ao que tudo indica a Sony já começou a promover uma campanha viral e talvez um ARG para divulgar o filme. Prova disso é a mensagem escondida no trailer. Aos 51s, justamente quando aparece o ambigrama com a palavra “Illuminati”, a frase “Altars of Science” torna-se visível. Na trama, Altares da Ciência são locais espalhados por Roma, que indicam o caminho para a fortaleza Illuminati. Eu particularmente não consegui ver essa frase, nem parando o frame. Mas ela existe e o site VideoETA conseguiu a prova:


Jogando no Google “Altars of Science”, temos como resultado um site que mostra o tubo de anti-matéria escondido, com um contador regressivo. Fazendo as contas, a data da suposta explosão seria dia 15 de maio de 2009, ou seja, a data do lançamento do filme. Detalhe para o número 84 na esquerda da tela. Este é o mesmo número da câmera de vigilância perdida na Cidade do Vaticano. Tudo isso só fará sentido para quem leu o livro, claro.

Particularmente eu digo que esta é a melhor obra do Dan Brown. Talvez seja por que eu a li na época do ultimo conclave, em 2005. Se houver mesmo um ARG e uma campanha viral, irei acompanhar de perto. Só espero que o resultado nas telas não seja tão decepcionante como foi o Código da Vinci.

Teaser trailer aqui

Veja a anti-matéria aqui

Dica do Brain9

Momento CSI

Muita gente sabe que eu sou uma verdadeira negação para ler revistas... Estou sempre atrasado e geralmente termino de ler uma edição no fim do mês. Em outubro não foi diferente. Eu tenho assinatura da Superinterssante e a capa do mês passado falava sobre os avanços tecnológicos da ciência no combate ao crime. A reportagem é muito esclarecedora, mas o que me chamou atenção não foi bem isso. A equipe da Super criou um jogo online, onde o crime que aparece nas páginas da revista pode ser desvendado. No game, um juiz foi encontrado morto em sua casa. Os suspeitos são a estagiária e também ex-namorada, a filha, o vizinho e o jardineiro. A medida em que avançamos pelas fases, clicando nas provas da cena do crime, ajudando na autópsia e relacionando fatos e objetos, os suspeitos vão sendo eliminados. Documentos comprometedores e exames toxicológicos são divulgados para ajudar na solução do mistério. Existe ainda um supervisor que fica aparecendo para dar algumas instruções importantes. O jogo é muito bem bolado e interativo. Para quem tiver 20 minutos sobrando e gostar de problemas inteligentes, é ideal.



Joque aqui

Super, quem lê é!

sexta-feira, outubro 31

É o Halloween !

Ok... O Halloween pra mim é a terceira ou quarta melhor data festiva. Obviamente, esse feriado não é comemorado como se deve aqui no Brasil, mas nos EUA e em alguns lugares da Europa, 31 de outubro é dia de festa.

Originalmente o Halloween nasceu na Irlanda (e que lugar perfeito para nascer não é mesmo?!) onde os povos Celtas (eles eram tãaao legais) comemoravam o Samhain. Esse festival era realizado entre 30 de outubro e 2 de novembro. Essa data coincidia com o fim do verão e também com o ano novo Celta. Com o tempo, estabeleceu-se uma data fixa para a comemoração e a partir daí ela ganhou novo significado. Os irlandeses acreditavam, que no dia 31 de outubro as almas voltavam à Terra para possuir as pessoas (essa parte não tem graça por que dá medo ¬¬). Por esse motivo, a data passou a ser chamada de Halloween, que em tradução pode ser dia das bruxas, dia de todos os santos ou Encontro das Almas (não gostei dessa última ¬¬ 2). Acreditando que as almas voltavam e possuíam as pessoas no ultimo dia de outubro, os irlandeses passaram a se fantasiar de maneira espalhafatosa e a desfilar dessa maneira pelo bairro. O intuito era espantar as almas que procuravam corpos para possuir (arrepio gelado pela espinha ¬¬ 3). Alem disso, eles costumavam apagar fogueiras e lareiras deixando assim o ambiente incômodo e frio para os fantasmas.

Esta tradição chegou aos Estados Unidos em 1840 junto com os imigrantes irlandeses que fugiam da fome que assolava seu país de origem. A data se tornou tão importante por lá que virou feriado nacional e também a mais popular festa norte-americana. No Brasil, o Halloween não recebe muita atenção. Um dos grandes motivos talvez seja nossa raiz cristã, que não vê com bons olhos a comemoração de uma data chamada “Dia das Bruxas”.

Eu particularmente cultivo a tradição de assistir a filmes de terror no dia de hoje. Não que isso seja inovador, já que a maioria das pessoas faz isso, mas é uma forma simples de “comemorar” esta data. O filme desse ano foi “O albergue 2”, e antes que alguém venha dizer que esse filme é antigo, vou logo avisando que filmes de terror não são meus preferidos, portanto para mim a maioria deles é lançamento. Para vocês, um Happy Halloween, ou na maneira brasileira de dizer: um feliz dia das bruxas...

Anh... e por via das dúvidas, é melhor dormir com a janela aberta ou dar um jeito de esfriar o quarto... nunca se sabe o que pode acontecer não é mesmo!?... Bons sustos a todos ^^.

quinta-feira, outubro 23

Janelas

Pela janela do quarto, vejo a rua onde passei minha infância. Amizades terminaram e outras começaram, mas ela continua a mesma

Pela janela do hospital, vejo um belo flamboyant. Verde e laranja, ele cresce alheio aos dramas e percalços que ocorrem dentro daquele prédio.

Pela janela do ônibus, vejo a cidade a passar. Durante o dia ela é puro movimento. Todos correm por que estão apressados, o tempo todo atrasados. À noite as luzes se acendem e transformam a titã de pedra e concreto em uma obra de arte iluminada.
Pela janela do metrô eu vejo um mundo que passa depressa. Cena após cena, tudo se transforma em um borrão, ora colorido quando estamos na superfície, ora cinza e compacto quando estamos no subterrâneo.
Pela janela do avião, vejo megalópoles inteiras transformarem-se em formigueiros e percebo nossa pequenez diante da imensidão do mundo em que vivemos.

Quando abro um livro, abro também uma janela para um mundo paralelo. Por ela vejo coisas fantásticas, que me fazem viajar mesmo que eu esteja deitado no sofá de casa.

Quando ligo a TV, permito que aquela caixa se transforme em uma janela, e que atores e atrizes, jornalistas e humoristas desenhem para mim uma paisagem criada por eles.

Quando ligo o pc e acesso a internet, conecto-me com um mundo de janelas, todas abertas e mostrando qualquer coisa que possa ser interessante a qualquer um.

Quando me olho no espelho, deparo-me com uma janela-imitação. Chamo-lhe assim, pois esta somente reproduz o que vê.

Quando observo uma foto, vejo uma janela aberta para o passado que também deixa passar um fluxo ininterrupto de lembranças boas... ou ruins.

Quando observo uma obra de arte, vejo uma janela criada por um artista. Como uma esfinge, ela precisa ser decifrada, interpretada para que a paisagem real possa aparecer.

Quando converso com alguém olhando em seus olhos, me deparo com a janela mais bela e importante de todas. No fundo dela, se encontra a essência de uma vida. A única coisa que é inacessível ao empirismo humano. No fundo dos olhos, eu vejo a alma do outro, e mesmo que ela se esconda e construa barreiras para se proteger, sempre existe um brilho no olhar, diferente para cada um, que comprova sua existência.

Nossa vida é um eterno passar de janelas, e conseguir admirar e não somente ver o que elas nos mostram é um dom verdadeiro.

segunda-feira, outubro 13

Viciados em séries

Há um ano, se me perguntassem algo sobre séries norte-americanas, eu faria uma básica cara de paisagem e diria “aanh.. eu não assisto muitas, não”. Na verdade, eu só poderia falar a respeito das primeiras temporadas de Heroes e Lost, séries super-badaladas aqui no Brasil. Este ano porém, a situação foi bem diferente. Devido a certas influências (leia-se Jana e Maisa), tornei-me um viciado.

Praticamente não assisto mais a TV aberta daqui, apenas alguns programas e jornais. Meu computador é minha nova televisão, e sei que isso não está acontecendo só comigo. Estamos passando por uma nova onda de migração, onde milhares de pessoas estão parando de assistir televisão aberta e abrindo mão da TV paga, para acompanhar as novidades pelo pc. Os motivos são vários. Para a TV aberta podemos citar a incrível incapacidade de apresentar programas que valorizem nossa inteligência. Na verdade, a maioria das coisas que vemos ali são fórmulas prontas que servem mais para massificar do que para instruir. Já a TV paga, mesmo tendo programas interessantes, as vezes exibe séries com até um ano de atraso. Posso ainda me valer do fato de que talvez estejamos cansados das intermináveis novelas, que sempre acabam na melhor parte e nos fazem esperar para o capítulo do dia seguinte. Isso não acontece com as séries, que sempre têm começo, meio e fim. E por mais suspense que elas levantem, temos sempre algumas respostas durante os episódios.

Atualmente acompanho 7 séries, cada uma com sua peculiaridade:

House m.d - se passa em um hospital escola, onde uma equipe de médicos do departamento de diagnósticos se depara diariamente com casos de difícil explicação. Além de lidar com uma gama de doenças, eles têm de encarar o sarcasmo e o constante mau humor do Dr. Gregory House, interpretado perfeitamente por Haugh Laurie.




Pushing Daisies - drama romântico, conta a história do jovem Ned, que possui um dom especial. Ele pode tocar coisas mortas e trazê-las de volta à vida. A trama se desenrola a partir do momento em que Ned revive sua paixão de infância Charlotte Charles e passa a lidar com as confusões que esse fato acarreta.

Dexter- um suspense criminal de tirar o fôlego, fala sobre a vida dupla do personagem principal, homônimo ao título da série. Para todos ele é o especialista em sangue da polícia de Miami. Interiormente, ele é um assassino desprovido de emoções, que sacia sua sede de sangue naqueles que merecem.

Heroes – um tipo de aventura e ficção, enfoca a descoberta de um grupo de pessoas que possuem “habilidades”, para não dizer super-poderes. A história se monta a partir de ações e atitudes de vários personagens que vivem constantemente tentando salvar o mundo de uma iminente catástrofe ou provocá-la buscando interesses próprios.


Ugly Betty – comédia vencedora do Emmy, conta a história de Betty Soares, secretária de Daniel Meade, editor da Mode, uma badalada revista de moda. As armações criadas pelos outros diretores e o completo descaso de Betty com o mundo da moda são de matar de rir.


Brothers & Sisters- um drama familiar, que conta a história dos Walkers, uma família tão problemática como todas as outras. Ótima serie para perceber que problemas familiares atingem a todos.




Lost – um avião cai em uma ilha deserta deixando alguns sobreviventes. A partir daí milhares de fatos estranhos e aparentemente sem conexão, começam a ocorrer. Despensa maiores comentários.




Alternando os períodos de seasonfall e midfall, vou me apaixonando cada vez mais por estas e novas séries. Elas exploram um mundo que é agradável e me oferecem um entretenimento de qualidade.

Podem baixar algumas delas aqui.

quinta-feira, outubro 9

Paris je T´aime

Paris, França. Esse é o destino dos meus sonhos. Quem me conhece um pouco, sabe que eu nutro um amor incondicional pela cidade-luz. O Louvre, a Torre Eiffel, o Jardim das Tuileries, o Arco do Triunfo, a grande biblioteca, o Montparnasse, o canal de San-Matieu,a Champs Elysees; tudo isso me encanta e me faz sonhar.

Analisando criticamente os locais descritos, dá pra perceber que se fosse a Paris hoje, eu seria apenas mais um turista perdido na cidade. Sim, pois os locais que eu gostaria de visitar são os mesmos que todo mundo conhece.

Domingo passado, porém, isso mudou. Ao assistir o filme “Paris je T´aime”, percebi que a cidade que eu quero visitar é outra. O que eu quero realmente conhecer em Paris são as pequenas coisas do dia-a-dia, as atitudes dos parisienses, as idiossincrasias daquele lugar. Obviamente, a parte mais glamurosa da cidade continua a me despertar interesse, mas não tanto quanto antes.

Paris je T´aime é um filme coletivo. A 18 famosos diretores foi proposto contar casos de amor, tendo como plano de fundo Paris. Podia ser qualquer tipo de amor: entre amigos, entre desconhecidos, entre pai e filho, entre irmãos, entre pessoas que já se foram, entre pessoas que não se foram, mas que estão longe... O resultado são duas horas da mais bela arte. Feito com pura simplicidade, o filme extravasa reflexão. Os curtas mostram sem perder o ritmo, que a beleza de Paris está em todos os lugares. Numa estação de metrô, numa pracinha escondida, no alto de um prédio. Onde quer que haja um parisiense amando, ali está um pontinho de luz.

Eu particularmente não estou acostumado com filmes assim. No começo tentei estabelecer paralelos entre os curtas, mas isso logo provou ser uma tarefa dispensável. A beleza de Paris je T´aime é justamente se deixar levar por diversas histórias aparentemente desconexas. Ao longo das narrativas, um fato me chamou a atenção: originalmente, Paris deveria aparecer como plano de fundo nos curtas. Mas para mim que sou apaixonado pela cidade, a cada narrativa, ela resplandecia amor e encanto sobre seus personagens.

Para esse filme, não só 5 estrelas e um Leão de Cannes. Mas sim toda uma constelação e uma salva de palmas de ouro. Para os apaixonados por Paris (e isso inclui você Nathália) fica a obrigação de assistir. Para mim, fica a convicção de um sentimento e a certeza de poder dizer: Oui Paris, jê T´aime, j´adore.

Site oficial aqui.

Este post deve ser lido escutando a primeira-dama

domingo, outubro 5

Noites de Tormenta

Todos os filmes mexem com nossas emoções de alguma maneira. Podem nos alegrar, irritar, nos fazer rir, ou mesmo chorar. Porém, quando os assistimos no cinema a história é diferente. Tudo se torna mais real, mais alheio a nossa vontade.

Ontem assisti “Nights in Rodanthe”, ou em sua versão em português “Noites de Tormenta” e posso afirmar que é o tipo de filme próprio para as grandes telas. Ele conta a história de Adrienne, mãe de dois filhos e recém-separada que tenta superar o término do casamento apesar das tentativas de reconciliação do ex-marido. Para espairecer, Ade decide passar um fim de semana na pousada de sua amiga, já que esta precisava viajar. Lá ela cuida de um único hóspede, o médico Paul, que depois de uma cirurgia mal sucedida tenta reconquistar a confiança do filho e confortar de alguma maneira a família de sua paciente. A medida que os dias vão passando, os dois vão se tornando mais íntimos, e numa noite de tempestade, finalmente ficam juntos. A partir daí, um belo amor se desenrola por meio de cartas, já que Paul precisava fazer uma viagem. Como não poderia faltar, o final guarda uma surpresa desconcertante.

Em Noites de Tormenta, tudo é arranjado para que o clima de romance seja percebido em diversos momentos. Desde a casa da pousada, uma belíssima construção a beira-mar, até a festa do caranguejo da pequena cidade, tudo remete a um singelo amor. Em uma cena no ateliê da pousada, Adrienne mostra a Paul uma caixinha de madeira que ela fez. Segundo ela, aquela caixa servia para proteger tudo e todos que ela amava. Paul não perde a chance e lança uma pergunta clássica “E quem protege você?”. Momentos assim permeiam todo o filme e deixam no ar um sentimento de doce paixão.

Escrito por Nicholas Sparks, o mesmo criador de “Um amor para recordar” e “Diário de nossa paixão”, o filme é dirigido por George C Wolfe. O elenco é formado por Diane Lane, Richard Gere, James Franco, Scott Glenn, Christopher Meloni, Mae Whitman, Viola Davis, Pablo Schreiber, Charlie Tahan, Austin James.

Uma peculiaridade que só o cinema oferece é poder analisar a reação de diversas pessoas ao que está sendo exibido. Ao longo do filme escutei risadas, alguns “aaaaah”s de admiração e expressões como “Ai meu Deus!” ditas em tom de surpresa. Num filme como Noites de tormenta é difícil segurar a emoção e não chorar, logo ouvi diversos barulhinhos de choro. Eu mesmo me segurei, mas deixei escapar uma lágrima. Para quem gosta de romances e dramas, fica a dica de um ótimo filme.

Trailer aqui, e site oficial aqui.

sexta-feira, outubro 3

Nada

Hoje estou fechado. Quer dizer, hoje minha mente está fechada. Meu canudinho mental só pode estar entupido, já que não tive acesso ao grande milk-shake de idéias. Gostaria de escrever sobre tantas coisas, tantos assuntos que me são interessantes. Sei sobre o que quero falar, mas na hora de expressar tudo em palavras, cai um véu difuso sobre as idéias e me deixa às escuras. Sem saber para onde ir.

Só para ter uma noção, hoje já tentei falar sobre o mês de outubro, sobre os 88 dias que nos separam de um novo ano, meus planos de viagens, as coleções que as pessoas fazem, uma ação publicitária feita por uma empresa de aspiradores de pó, além da desventurada tentativa de fazer uma crítica a alguma coisa. O que quer que seja. Mas como já disse, hoje estou fechado. Talvez o véu seja retirado e eu possa ter acesso às minhas próprias idéias. Mas enquanto isso, estou cinza.

Obs: estou de bom humor, só não consigo escrever sobre nada!

segunda-feira, setembro 29

Eu amo, sim, eu amo.

Eu amo manhãs de sábado que pra mim sempre são amarelas, inclusive nos dias cinzentos de chuva.

Amo tempo frio, pois fico aproveitando o calorzinho especial da minha cama até mais tarde.

Amo viajar, porque a estrada me leva a reflexões produtivas.

Amo comer brigadeiro quente na panela, mesmo que acabe queimando minha língua.

Amo ter crises descontroladas de riso com meus amigos e ver o quanto temos em comum.

Amo conhecer novas pessoas e descobrir que elas têm universos interiores, assim como eu.

Amo assistir filmes inteligentes e me sentir mais esperto quando começam os créditos finais.

Amo cafés da manha em família, onde a cozinha fica tão abarrotada, que acabo comendo em pé.

Amo sorrir para grávidas ao pensar que ali há uma nova vida em formação.

Amo ouvir músicas e me empolgar com elas quando ninguém está vendo.

Amo noites de lua cheia com céu estrelado e brisa noturna.

Amo sentir o vento no rosto quando saio de casa ou em qualquer outro momento do dia.

Amo ter sonhos malucos e acordar sorrindo.

Amo abrir o baú de lembranças dentro do ônibus e de tão entretido, não ver o tempo passar.

Amo discutir com gente que tenha argumentos tão válidos quanto os meus.

Amo ler e me inserir na história pelos olhos do personagem.

Amo reuniões familiares barulhentas.

Amo andar de bicicleta na praia e me sentir livre.

Amo um dia chuvoso, onde eu possa me enrolar em um cobertor na sala e assistir filmes até pegar no sono.

Amo descobrir novas maneira de fazer as mesmas ações do dia-a-dia.

Amo tirar fotos de flores, árvores, folhas e de muitas outras coisas mais.

Amo quando as luzes do cinema vão se apagando, pois junto com elas me desligo do mundo real.

Amo assistir desenhos porque volto a ser criança.

Amo o mês de dezembro acima de todos os outros e começo a esperar pelo natal desde outubro.

Amo ir à igreja e ficar em sintonia com Deus.

Amo sentir minhas idéias fluírem na medida em que as escrevo.

Amo preencher uma folha em branco com minhas opiniões.

Amo surpreender aqueles que amo.

Amo ver finais felizes, ou imaginá-los quando não acontecem.

Amo ter boas doses de criatividade.

Amo ver o mundo da forma como o vejo.

Eu amo tudo isso...

Sim, eu amo.

quinta-feira, setembro 25

Shake Wario, shake!

Desde ontem milhares de blogs publicitários estão alardeando a ação feita pela Nitendo. A empresa colocou um vídeo no Youtube para divulgar o novo jogo Wario Land: Shake It! para o Nitendo Wii. A princípio nada demais. Porém, à medida que o personagem atua no filme, a página vai sendo destruída. Muito interessante e bem feito, mas não me surpreendeu muito, até porque eu já tinha visto algumas coisas parecidas com essa. O fato de ser no Youtube é o que chama a atenção, já que isso não costuma acontecer por lá. O site do jogo também é muito bom. Interativo e com design pertinente, ensina até algumas jogadas. Para quem tem Wii vale a pena comprar.


terça-feira, setembro 23

Fotografia, a escrita da luz.

Uma vez, quando tinha de 12 para 13 anos, peguei-me envolto a uma corrente de pensamentos sobre fotografia. Imaginava que naquele momento, se tivesse uma câmera, seria capaz de me tornar um grande fotógrafo e que qualquer pôr-do-sol seria simples e fácil de enquadrar. Rapidamente comecei a formular planos. O sucesso era garantido, só me bastava o equipamento necessário! Porém, acabei guardando todas aquelas idéias e desejos em uma pequena câmara escura em minha cabeça. Não poderia levar aquilo à frente já que não tinha acesso a câmeras analógicas e as digitais só existiam em uma realidade que decididamente não era a minha. Além disso, ninguém em sã consciência me daria uma máquina fotográfica. Eu era completamente avoado, me distraía com facilidade e esbarrava em tantas coisas que minhas canelas eram um verdadeiro mosaico de manchas roxas. (vale dizer que eu continuo sendo distraído e avoado, mas minhas pernas agora são de uma cor uniforme).

Os anos foram passando, eu entrei na faculdade de Publicidade e Propaganda, e fiquei animadíssimo ao saber que teria uma matéria de fotografia. Um raio de esperança entrou na esquecida câmara escura e os pensamentos de outrora foram acordados Por motivos de qualidade de ensino, acabei transferindo meu curso para o IESB e estarreceu-me saber que a matéria de fotografia publicitária tinha sido retirada da grade após uma reformulação na faculdade. Até hoje não me conformo, e acho esta, a pior falha no currículo do curso.

Nas férias de julho desse ano, decidi que havia chegado a hora de iluminar a escuridão da câmara. Inscrevi-me num curso de fotografia básica, e me encantei quando percebi que os planos feitos na infância reapareciam intactos e que poderiam se tornar realidade. Com algum esforço, eu conseguia capturar o mundo da maneira como o via. E o mais importante: eu podia compartilhar minha ótica com os outros.

Algumas coisas, entretanto, provaram ser diferentes do que eu acreditava. Fotografar não é apenas apontar a câmera e apertar um botão. Fotografar é conseguir enxergar formas, poses e novas disposições em elementos ignorados no dia-a-dia. É não ter vergonha de se jogar num canteiro de flores no meio de um cruzamento pra eternizar o pouso de uma abelha. É deitar de barriga no chão em um parquinho de areia para ter o registro de uma criança brincando. É não ligar para o olhar de espanto ou admiração dos outros enquanto se busca a luz ideal. Quando tenho uma câmera nas mãos, faço tudo isso sem perceber. Sou levado pelo mundo das imagens e acabo descobrindo diminutas cenas de paz em nosso mundo tão conturbado. Momentos como esse, deveriam ser vividos por todos ao menos uma vez. Talvez assim conseguíssemos enxergar uma realidade mais amena, que está sempre ao nosso alcance, mas que não vemos por andarmos sempre rápido demais.

Alguns trabalhos amadores (sim, pois sei que tenho muito o que aprender) estão aqui.

domingo, setembro 21

Nippon – 100 anos de integração Brasil – Japão

Sábado, 20 de setembro de 2008

14:00 - Sai de casa determinado. Nada me impediria a ir ao CCBB naquela tarde. Após duas visitas marcadas e desmarcadas resolvi ir sozinho à exposição Nippon, em comemoração aos 100 anos da imigração japonesa ao Brasil. Ignorei o tempo nublado e a boa caminhada que faria até o metrô.

14: 51 - Desembarquei feliz na estação Central. Consegui vir sentado e ainda ao lado de gente normal. (pessoas excêntricas são adeptas desse tipo de transporte público). Não estava chovendo. Decidi ir direto à parada do Teatro Nacional, esperar pelo ônibus que me levaria até o CCBB.

15:15 - Pasmem! O ônibus que o Banco do Brasil fornece de graça é parceiro do relógio. Se por acaso chegar mais cedo a uma parada, o motorista espera a hora certa de sair. Nunca andei em algo tão pontual.

16:00 – CCBB. Originalmente, decidi ir a essa exposição por indicação de uma grande amiga minha, que simplesmente desmarcou comigo um dia antes. Apesar da desfeita, eu sabia que a exposição estava lindíssima e que não poderia perder. Mas o que vi excedeu minhas expectativas. Tudo o que foi exposto e apresentado era de uma beleza ímpar. Os quimonos, que combinam as cores de acordo com as estações do ano. As armaduras feitas de couro, ferro e corda. As espadas samurais com mais de 900 anos. Tudo me remetia a um passado riquíssimo. Nippon apresenta a cultura japonesa através dos seus aspectos artísticos. A exposição é dividia em caminhos, que eram percorridos para alcançar a perfeição e atingir a iluminação por meio da disciplina. Lá estão o ikebama (caminho das flores), o chadô (caminho do chá), o shodô (caminho da escrita) o origami (caminho do papel) e a arte da porcelana. Existem alguns pontos que merecem destaque por sua capacidade de chamar minha atenção: Os documentos de imigração do navio Kassato Maru; a parte dedicada ao estilista Jum Nakao; Os balões da caixa de vidro; as inusitadas onomatopéias de animes, que são apresentadas de maneira tão diferente que seria necessário um post exclusivo. Para quem achou pouco, ainda existe um balão no qual é possível subir a alguns metros para apreciar a bela vista do lago e da terceira ponte. Infelizmente essa atração não estava funcionando devido o mau tempo.

17:50 - Vou embora do CCBB sob uma fraca garoa, levando comigo uma leve sensação de irrealidade após ter visto tanta beleza.

18:05 – De volta ao Teatro Nacional, corro até o metrô. A garoa tinha se transformado em uma chuva que ameaçava engrossar.

19:00 Em casa novamente.

Segunda 22 de setembro de 2008

00:32 – Termino o post afirmando: Nippon – 100 anos de integração Brasil – Japão : Altamente recomendado! Drix, você perdeu!

sexta-feira, setembro 19

Ensaio sobre a cegueira


Apesar da estréia do filme ter ocorrido semana passada ainda vale a crítica. Até por que, os lançamentos de hoje não merecem grande atenção mesmo.

Ensaio sobre a cegueira é uma adaptação do livro homônimo do escritor português José Saramago. Essa não foi a primeira tentativa de produzir um filme baseado na obra. Algumas outras já haviam sido feitas, porém o autor se recusava a permitir uma releitura de seu livro para as telonas. Segundo ele, o cinema destrói a imaginação, o que é verdade até certo ponto.

Porém nada é realmente destruído ao se assistir “Ensaio sobre a cegueira”. O que vemos é uma boa releitura das idéias do autor. Tudo começa com um motorista que fica repentinamente cego enquanto estava dirigindo. Ele vê apenas uma imensidão de branco, ao contrário do breu habitual da cegueira. A partir daí, a doença vai se disseminando, atingindo quem ainda consegue enxergar. Os primeiros doentes são mandados para a quarentena e é lá que se passa a maior parte do filme.

Ao contrário dos insossos blockbusters ao estilo “doença misteriosa acaba com o mundo, mas deixa alguns sobreviventes”, Ensaio sobre a cegueira não enfoca muito a disseminação da doença no planeta. Ele se volta para o gênero humano, e para o que ainda somos capazes de fazer em situações de crise. Acreditem, o filme dá uma série de tapas na cara de quem estiver assistindo. E não adianta alguém vir dizer que é tudo mentira de ficção. O que se passa ali é a pura realidade do que já existe em nosso mundo, mas que não vemos por andarmos de olhos fechados.

Algumas coisas me chamaram a atenção: a utilização de nomes próprios é limitada. Nomes de cidades, ou mesmo dos personagens principais não aparecem. Além disso, as cenas foram rodadas majoritariamente com estouro de branco. Tudo é muito claro e desprovido de cores fortes

Dirigido por Fernando Meirelles, o filme tem em seu elenco Julianne Moore, Mark Ruffalo, Alice Braga, Gael Garcia Bernal, Sandra Oh, Don McKellar, Maury Chaykin, Yusuke Yseya e Yoshino Kimura.( se não souber quem é ninguém, joga no google ta.!?)

Eu não sei o que foi passado no festival de Cannes, mas com certeza não foi esse filme. Pra mim ele é cinco estrelas na cabeça.

Trailes do filme aqui e site oficial aqui