terça-feira, dezembro 30

Coisa de cidade grande

Sob a serra há um túnel. Nele, milhares de carros sobem em direção à cidade. Para trás todos deixam as grandes praias. Percebo que esta pode ser uma oportunidade única, então aguço todos os meus sentidos para memorizar o momento. Eis o que vivenciei:

Uma luz amarela tinge tudo de um tom dourado. Como um único rojão, ela corta o alto de ambas as paredes do túnel e se exibe como um convite à velocidade. O som que ali se escuta chega a ser desconcertante. Amplificado pelo eco da própria construção, o motor de carros, motos e caminhões tornam-se como rugidos de feras em debandada. Escuto um tiro e me assusto. Mas foi este realmente disparado por uma arma? Não, o barulho veio do cano de descarga de uma motocicleta. Vejo uma luz branca ao longe e me despeço do claustrofóbico tubo serpeante. Lá fora, sobre a serra, uma cinza e espessa camada de nuvens encobre o céu.

Termina o túnel, continua a viagem.

domingo, dezembro 28

Do que são feitas as nuvens?

Lá fora, um tapete de nuvens se estende a perder de vista. Como um branco mar de algodão, ele alcança o horizonte facilmente. É impossível não sorrir ao contemplar tal cena, assim como também é inevitável agradecer a Deus por esta beleza da criação.


Subindo, subindo, subindo. Assim faz o avião, que mesmo não sendo rosa e grená, carrega dentro dele um jovem sonhador. Este, intimamente, o vê colorindo tudo em volta, com suas luzes a piscar.

quinta-feira, dezembro 18

Reminiscências

Voltando de viagem, olho pela janela do carro e avisto verdes plantações que passam rapidamente. Ainda temos muitas horas de estrada até chegar em casa. Sabendo disso, liberto meus pensamentos e deixo-os vagar livres pelo mundo.

Pouco a pouco, versos de uma música vão surgindo. A eles, junta-se não minha voz, mas sim a do cantor que os interpreta. As partes mais conhecidas são repetidas durante algum tempo, mas depois, a melodia decide que quer ir embora; e vai.

Velhas lembranças começam a preencher o vazio deixado pela música, deixo-me ser levado por elas... As cenas que se desenrolam são várias e retratam o ano de 2002. Vejo-me com meu corpo de 12 anos. Magrinho, alto, usando uniforme; comum. Estou na sala de aula da 7ª A no CEF 08, no meio de uma aula de matemática. Acabei de ganhar uma grande maçã vermelha de uma garota que eu conhecia somente há alguns dias. A princípio eu penso “Aí tem coisa! Por que ela me deu isso? Será que ela acha que eu passo fome? Ou essa maçã caiu no chão e ela não quis mais comer?” Decido arriscar e como a fruta. Estava normal... nem doce nem azeda, nem dura nem mole demais. Alheio á aula e ao que se passava na sala, não percebo o sinal anunciando o intervalo. Sou arrancado dos meus devaneios por uma explosão de risadas. Quando percebo, meus outros colegas de classe estavam às gargalhadas por eu ter ganhado uma maçã de presente. Não me lembro bem o que eles falavam, mas tive a absoluta certeza de que havia o dedo daquela menina Nathália nisso tudo. Era essa afinal sua intenção ao dar-me aquilo? Não perguntei, naquele momento eu não queria saber. Só o que me vinha a mente era sair dali. Eis o que fiz: fechei a cara e fui para o intervalo.

A lembrança se desvanece e outra assume seu lugar. Estou na mesma sala, porém o clima é bem diferente. Agora mantenho uma acalorada conversa com Nathália. O incidente da maçã parece superado. Falamos sobre alguns livros do Pedro Bandeira, e eu me espanto ao perceber que ela também conhece os karas. Ao que parece, ela é tão fã deles quanto eu, se não mais. À medida que conversamos descubro que ela também gosta de Harry Potter e que já havia lido dois livros dele. É tão fácil conversar com ela sobre qualquer assunto que isso chega a me espantar. De repente, a compreensão me atinge e percebo que estamos nos tornando amigos. Conosco, está também uma outra menina chamada Drielle. O mundo inteiro vê em seu rosto que ela não gosta de mim. Drielle se tornou amiga de Nathália muito mais rápido do que eu e a empatia entre elas era clara.

Acontece novamente uma mudança de cenário. Estamos na aula de Educação Física, e por alguma razão fazemos uma competição de pulo com cordas individuais. Nós três nos alternamos em uma única corda. Tento conter minha irritação, mas não consigo. A cada erro meu Drielle parece receber a notícia de que o natal estava chegando mais cedo e não se preocupa em esconder um sorriso. Nathália está tranqüila e tenta apaziguar os ânimos. Ela usa um tênis rosa muito singular por assim dizer. Um outro menino chamado Vítor também brinca com a gente. Eu não gostava dele de forma alguma, e ao menos nisso Drielle parece concordar comigo. Ela também o detesta. Acaba a aula e nos encaminhamos para os bebedouros. As duas garotas caminham a minha frente falando baixo. Ultimamente elas vivem cochichando ou passando bilhetinhos uma para a outra. Eu me sinto claramente excluído, mas elas não parecem se importar muito. Escuto por alto que Drielle irá à casa de Nathália depois da escola. Hoje eu as seguiria, mas para não gerar acusações preferi dizer que as faria companhia.

Muitas e muitas lembranças se seguem a estas pois ao longo de 7 anos nos tornamos inseparáveis. Drielle finalmente conseguiu me aceitar como amigo e em 2004 descobrimos que nossas gritantes diferenças são ideais para a amizade única que conseguimos desenvolver. Hoje em dia nos tratamos como irmãos. Eu e Nathália passamos por tantos altos e baixos que chega a ser difícil de listar. Mas como eu bem gosto de dizer a ela, isso só prova que nossa amizade é forte e consegue superar tudo. Elas duas nunca tiveram grandes desentendimentos, e fortaleceram seus laços fraternais com o passar do tempo...

Lentamente, volto a mim e percebo que o carro está desacelerando. Com uma pergunta, descubro que vamos parar em algum lugar para lanchar. Começo a recolher meus pensamentos para não esquecer nenhum. Centenas de quilômetros ainda nos separam de nosso destino final, mas mesmo assim dou um leve sorriso. Os outros passageiros, todos da minha família, não entendem minha satisfação. Eu poderia explicar a eles, porém deixo para outra ocasião. Naquele momento eles não sabem, mas meu sorriso era apenas uma faísca do sol de alegria que brilhava em meu coração. Ele é continuamente alimentado pela amizade e pela compreensão de que verdadeiros amigos estão sempre juntos, não importa onde estejam.

quarta-feira, dezembro 17

Considerando...

As vezes tenho um bloqueio que me impede de escrever sobre qualquer coisa. Eu até já falei sobre isso aqui lembram? Então... estou em uma época como essa novamente. Vejo ótimos filmes antigos, leio como se disso dependesse minha vida, assisto a séries que me divertem, me informo de maneira regular e ultimamente me reapaixonei por desenhos animados. Qualquer um desses temas seria um ótimo assunto para discursar, mas existe um véu difuso que turva meus pensamentos.

Poderia falar sobre as várias novidades ás quais tive acesso. Mas lá no fundo, eu imagino que isso seria simplesmente uma transcrição de outros blogs e sites. E eu não criei o Cordel para isso...

Façamos o seguinte acordo. Prometo que até o fim da semana escreverei sobre 3 assuntos diferentes! Não garanto uma harmonia melodiosa em todos os textos... Mas talvez isso ajude a dar outra direção para o bendito véu.

Até breve !


domingo, dezembro 7

Livro bolo-de-festa

Eu possuo uma maneira muito única, assim acho eu, para caracterizar certas obras literárias. Quando um livro me prende à história e me faz querer lê-lo desesperadamente, costumo chamá-lo de livro bolo-de-festa. Chamo-o assim, pois preciso me controlar para não devorá-lo de uma só vez. Devo saber apreciá-lo com calma e cadência para que tenha o sabor adequado. Recentemente me vi em situação como essa ao ler Crepúsculo. Escrito por Stephenie Meyer, ele narra a história de Bella Swan, uma jovem de 17 anos que decide ir morar com o pai na pequena e chuvosa cidade de Forks, Washington. Acostumada com o calor de Phoenix, Bella passa por maus momentos até se acostumar com o clima do local. Ela realmente tenta se integrar e fazer novos amigos, mas seus planos de normalidade fracassam de maneira teatral quando ela toma conhecimento da família Cullen. Alice, Rosalie, Emmet, Jasper e Edward, são as pessoas mais estonteantemente lindas que Bella já viu na vida. A jovem se sente atraída por Edward Cullen de imediato. A princípio, ele a evita, mas com o tempo, e graças a acontecimentos muito estranhos, ele também começa a se aproximar de Bella. O problema é que Edward não é um garoto comum. Para ser mais específico, além do prazer pela velocidade, ele possui uma palidez desconcertante, uma força descomunal e uma sede que incita seus extintos mais animais. Sim, Edward Cullen é um vampiro!

A partir daí o livro é só emoção. As descrições das belezas do jovem vampiro e o amor que Bella cativa por ele são inspiradores. Em alguns momentos é um pouco romântico demais, porém não se enquadra no estilo água-com-açúcar. Além disso, à medida que Bella vai contando a história (o livro é narrado em 1º pessoa), seus pensamentos vão se tornando cada vez mais interessantes, diria mesmo irresistíveis. Sua forma de pensar é um misto de sarcasmo, amor incondicional, paixão avassaladora e comédia pungente. Para completar, existe ainda um suspense angustiante. O tempo todo se espera por um beijo, e nos capítulos finais as reviravoltas ocorrem de forma tão consecutiva, que as páginas praticamente passavam voando diante de meus olhos. Como Bella mesmo repete tantas vezes, eu tinha que me lembrar de como era respirar.

Ao terminar a leitura, com uma certa tristeza por ter acabado, descobri que o filme homônimo à obra será lançado aqui no Brasil dia 18 de dezembro. Tive que conter a empolgação crescente que me assolou no momento. Entretanto, alguns amigos foram vítimas de scraps desesperados, onde profetizei meu infarto iminente se eu não fosse ver a película na estréia. Provavelmente existe uma tsunami de pessoas esperando pelo filme, assim como eu. A série de livros cujo primeiro título é Crepúsculo, tornou-se besteller mundial; mas posso balançar a bandeira da inocência e afirmar que comprei o livro por pequenas indicações e também por curiosidade, e não para seguir uma nova tendência. Como eu já disse antes, tenho uma habilidade incomum de descobri-las antes que elas estourem na mídia.

O importante é dizer que elegi Crepúsculo como meu livro do ano, e que em breve lerei Lua Nova. Haverá uma crítica ao filme também, já que não poderei deixar de assistir. Mas peço encarecidamente que não deixem de conhecer o livro. Garanto ótimos momentos de alegria. Porém é melhor aceitar que estes passarão rápido, pois é quase impossível parar de ler!